sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

NOSTALGIA


A cada Tic-Tac
O toque
Que já não tenho
A trama
Que já não sonha
E sequer me mantém acordada

A mente percorre veloz
Ansiando se saciar
Neste corpo que estagnado
Cada vez mais descrente
De lado
Nem ao menos um suspirar

Quem dirá me virar
Do avesso
Um apreço, um aperto

Confesso
Que já me falta
Uma mão farta
Um olhar suplicante
Um beijo ofegante
Um amante de fato

Não há dedos
A deslizar
Em meu quadril
Dentes serrados
Na pele
Que expele calor
E lábios
Que nunca mais
Encontraram-me a nuca

Esse amor...
Que transformado em furor
Já não sinto
E sequer minto
Que me começa
A bater saudade

Ai que maldade!

MZ - 27.12.2012

QUAISQUER QUER QUAIS


Sorriso a rasgar meu rosto
Imposto que pago a mim mesma
Evitando alimentar o desgosto
E tornar mais um rosto à esmo

Assim mesmo a luta praxeada
Extrema beleza da vida
Extremo oposto
Suposto que se importa
Eu supero a cada respirar

A alegria me vem direto
De dentro
No direito de ser lado esquerdo
Da mesma nascente da dor
Do medo, calor
Frio
Afeto
Que nem ao menos
Me meto mais

Este é meu cais
Longe das tempestades
Das verdades sentimentais
Sentimentos?
Quais?

MZ - 08.11.2012

CENTIMENTRAIS


Mundo doente
De mentes que mentem
E medem corações

Dementes

Enxergam em seus próprios umbigos
O que já vem de cordões umbilicais
Apenas o que lhes faz sentido
Nada mais

São fatais para outrem

"Que importa?
Se minha horta me sustenta
E minha aorta anestesiada
Assim se mantém"

Ensandecida

E se encasulam
E perambulam
Soltos em suas prisões
Solitários em multidões
Em sangues quentes
E orgasmos frios
Sentimentos indecentes
Já nem se encabulam
Em cabular relacionamentos
Ferir inocências
Proferir dor
Denegrir amor

Sentir sabor
E não suor

Até que papilas e pupilas
Implorarão algo mais
E ansiando diferenças
Encontrarão apenas
Outros seres centimentrais

Os iguais também se atraem, afinal
Quando ninguém mais
Tenta ser oposto!

Mônia Zimmermann - 08.11.2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

CRU EIS


Um canto que meu
A solidão prometeu
Neste tempo revel
Me és tão cruel


Meu fardo indelicado
Então me afasto
Mesmo que inerente
Presente de mim
Em mim
Por fim!

E se ignorada
Sou ermo
A esmo de sentidos
Me faço deserto
Que a todo luar anseia
Ser algo diferente
Crente que podes
Tolice!
Visto que o sol renasce
E o único calor
É sequidão persistente

Eis que sou cru
Quanto mais cruéis...

Mônia Zimmermann - 28.08.2012

sábado, 25 de agosto de 2012

APATIA

Não acredito que possa
Voltar a acreditar
Hibernante este ser
Sequer consegue sonhar

Acorda em riachos.
Se porventura secasse!
Apenas corre, escorre...
"-Se escore em mim!"
Não pode!
Não mais nasce!

Anseie um toque, menina!
Deseje um beijo, mulher!
Ao menos sem rosto
Para que o desgosto não a leve

Ah, coração exposto
Em seu posto de pedra
Estatueta em pedaços
Cada caco, outrem
Não convém remendar

Linche este ser ao lixo
Seja morada, não estadia
Não há o que ser reciclado
Aceite teu fardo

Mesmo singular,
todo ser
Está à mercê
de ser trocado

E assim, se iguala!

MZ - 16/08/2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

AÇOUGUE

Lá se vai um coração
Trocado por uma alcatra
Pesos deturpados
Ouro trocado por prata

O que deveria ser canção
Virou peça de contra-filé
Reles alimento
Não há tango, não há balé

Conquistas, trocas
Para quê?
Tudo se vale ao dinheiro
Tudo é o que se come
Servido de amor com purê?

Romance feito salada
Ignorado, banal
Visto que o principal
É a espera da rabada

E se me achas um sujeito pífio
De palavras tolas, escrotas, banais, ...
Só demonstro onde fomos parar
Onde o sentimento jaz

Sim, haja estômago
Para aguentar tal poesia ridícula
Um nojo proveniente do âmago
Ah, e isto eu não engulo!

Que meu fígado suporte isso tudo!

Mônia Zimmermann - 08/08/2012

RECIPROCIDADE

Quando lhe dou meu coração
Me queres quadril
E se me dou por fração
Em seu jeito febril
Queres que seja eu, inteira

Ah que besteira!

Se apenas me queres poesia
Quando tudo tardia
E já eu, pedra feita
Nem vulcão, nem fogueira

Me beija os olhos
Quando lhe quero dentes
Planta-me do sentimento, semente
Quando sequer queres regar

Sequidão em galhos!

Se quero teu peito
Feito refúgio, travesseiro
Já não causo este efeito
Visto que me queres braseiro

Sou rua
Quando me queres céu
Sou sua
E sequer importa o que sou
Sou lua quando
me queres sol
Sou nua
E sequer me dá seu sim!

Mônia Zimmermann - 07/08/2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

POR HORA

Sentir do sentimento alheio
Tocar quem não me existe
Viver do que sequer me pertence
Acarinhar o vazio que persiste

Apaixonar-se a cada melodia
E não existir quem pensar
Conviver com um peito que ardia
Agora se pôs a hibernar

Admirar a lua solitária
Perceber que sozinha também está
Reparar que seu brilho irradia
Reparar os sentidos ao luar

Vou vivendo de outros, paixões
Que em mim se transformam poemas
Agradando a quem os pertence
Nada de mim, meu dilema

Nada tenho a reclamar, porém
Pois quando o fazia por amor
Só ,me correspondia o desdém
E o calor? Furor? Torpor?
Sequer a dor!
Mas tudo bem

Silenciar-me-ei por hora!

Mônia Zimmermann - 07/08/2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Em... Fim...


Apaixonada por nada
A vida veio a me tornar
Um amor que jamais acaba
Riacho desaguando ao mar

Como pode um coração partido
Em parafuso
Confuso
Obtuso
Em desuso
Viver tão feliz sozinho?
Se as engrenagens enferrujam
E não há óleo
Que desatine o destino

Nem tudo se pode explicar
'Inda mais de ponta-cabeça
Sou passarinho livre no ar
Que sequer busca um ninho que o aqueça

Mônia Zimmermann - 03 / 08/2012

AS FADAS LHE CONTO



E eu
Que acreditei ser tão fulgaz?
E eu
Que até pensei ser algo mais?

Me foi primeiro.
Veio certeiro.
Fez-me braseiro.
Para se fazer faceiro.

Tão ruim
Compreender este fim.
Se em seus olhos só vejo
Que queres estopim.
(Pelejo)

Vivendo de subterfúgios.
Fugindo de tudo que sente.
Mascarando que sou seu refúgio.
Fingindo que crê ser descrente.

Lhe vejo assim tão menino.
Tão bobo, indeciso, desprotegido.
Parece que fui a primeira
A nunca ter lhe ferido.

E é tanta dor que sequer consigo
Sentir doer mais nada.
Amor tentando virar amigo
E se torna conto de fada.

Já não existe mais!

Mônia Zimmermann - 03/08/2012

SE SONHO


Sonho meu, sonho meu ...
Faça um favor
Não busque ninguém
Perto ou longe
De amor

Sossegue meu peito
Em que só paira a agonia
Descanse essa dor
Em teu colo
Lhe imploro
Plena misericórdia

Adormeça esse amor
Que conheceu apenas
Homicidas, egoístas
Em imagens serenas

O casco sem rastros
Rasgou-me ao nada
Cada passo falso
Em meu encalço
Cilada

Ah sonho meu
Que fizestes de mim?
Vendestes minh'alma
E em sua palma estou!

Mônia Zimmermann - 02/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

POBRE SONHAR



Acordei sensível

Acordei amante
Acordei carente
Acordei distante



Desperto em um mundo disperso
Desespero tamanho desapego
Desdém, desafeto



Pobre de mim
Que tão rica em sentimentos
Não recebo e sequer compro
E egoísta
É o que me torno
Ao fim
De tamanhos desenganos



Apenas queria tornar
De meus sonhos um lar
Refúgio de toda dor
Cemitério do amor



Monia Zimmermann - 02/08/2012

terça-feira, 31 de julho de 2012

Saudade

Saudade de te beijar a boca e te arrancar a roupa, deixar-te ofegante e lhe arrancar todo suor que possui!
Saudade também da raiva que fico do arranhar de minha cama barulhenta, ou de tu beijando meu umbigo, me fazendo suspirar.
De quando lhe beijo a coxa e não me deixas continuar.
Saudade de quando te domino, quando viras um menino apenas me esperando continuar.
Ou quando me atiras na cama, diz que me ama e nem consigo respirar.
Ao me beijar o seio e arranjar um meio de me enlouquecer!
Saudade de sua mão em meu quadril, do jeito sutil ao que me surta.
Saudade de seu corpo passando pela minha boca, de quando me preenches que chego a sufocar.
Saudade de seus dentes em minha pele e o hormônio que ela expele de tanto prazer que me dás.
Saudade das fantasias, de como isso te aumenta o fogo e arrepia.
Saudade das brincadeiras, do gelzinho ao teatrinho, do início ao fim.
Saudade de nossos corpos colados, quentes, suados, emanando tesão.
Saudade da emoção, de quando me faz gemer ao suceder de cada posição.
Saudade ainda mais, de quando tudo termina e cansada me deito em seu peito que feito para mim torna este, de todo, o momento perfeito!


Mônia Zimmermann - 30/12/2008

HOMENAGEM AO DIA DO ORGASMO

PLANTA DE PLATÃO

Sinto que sinto falta
Não minto
De ter meu coração flutuante
Um amante
À moda antiga ou atual
Que importa?
Se apenas lhe tenho o sorriso

Ah seu sorriso!
Me basta
Me afasta qualquer mal
Me fortifica no caminho
À enfrentar qualquer percalso

Esta curva que gira meu mundo
A todo segundo me arrebata
E se não mata essa falta que tenho
É minha vida que leva
E carrega meu romantismo
O pega e se vai
Esvai ...

Quem sabe um dia retorne
E se entorne em meu peito
Seja parte
Do âmago de quem ama

E este amor
Por que o inventastes, Platão?
Visto que vivo na escuridão
De quem o vive com furor!

Mônia Zimmermann - 31/07/2012



LHE COLORIR






Anseio ser mais que um acaso
Secar suas lágrimas assim
Antes que percorram seu rosto
As mesmas que doem em mim

Quero ser de seu íntimo
E lhe ter pleno acesso
Sua dor, seu amor, seu sorriso
Ser pedaço de seu afeto

Seus problemas deitar em meu colo
Lhe beijar todas as alegrias
Da amizade que brotou carinho
Colorir esta nostalgia

Preparado ou não, coração
Tudo sempre foi diferente
Todo o apego que por ti tenho
Quem sempre chamei de irmão

Não lhe tenho planos
Quem dirá enganos

Bom ou ruim
em mim
Só faz bem
E se for assim
Ser meu serafim
Tudo bem!

Sei que agora
como ontem,
aflora
E que perfume exala!



Mônia Zimmermann - 29-07-2012

...

... E tudo volta.
Volta o riso, volta a dor,
Volta o medo, volta o sossego,
Volta a rotina, volta o brilho,
Volta a vergonha, volta a insônia.
Volta até o que não se deve voltar
Envolto a pensamentos macabros.
E nas voltas que o mundo dá
Até o que não há volta, volta
E se volta contra ti
Ou a favor, quem sabe!
Mas o que realmente importa e envolve
É que volte
A não ser mais um vulto.

MZ - 26/06/2012



Quando a máscara existe, se descobre quando a mesma cai.
Quando nunca existiu, se descobre ao arrancar a carne.
MZ - 24/06/2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mais um dia


Acordei hoje meio assim
De coração e alma assado
Esturricado, despedaçado
Desejando não estar em mim.

Acordei hoje meio afim
De sumir, embora
Quisesse ser outro alguém
Mundo afora e me encontrar enfim.

Acordei hoje e vim
Sem cremes, cuidados ou vontades
Que não fosse dormir
E o conseguir sem os malditos pesadelos.

Acordei hoje com o fim
Que não sei se bom ou ruim
De todo sentimento de desejo
De todo sentimento de dejeto.

Acordei hoje . . .  
                                   E deveria?

Mônia Zimmermann - 01/02/2012


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Nenhuma Nota



E se
Sou só
Um só
Sem sol

E se
Não for
Bem mais
Que lá

E se
eu vier
A cair
Em si

E se
Não puder
Nem mais
Ter dó

E se
Não há fim
Não há Jeito
Nem ré

E se
Não mais
Vier a
Querer mi

E se
Nada faço
E isso
Não se fá

E se não restar nem ao menos uma canção?

Mônia Zimmermann - 26/01/2012