terça-feira, 30 de outubro de 2018

SEMtir


SEMtir


Sinto fazer por onde
Sinto não ir mais longe
Sinto que até minto
Que a curva da face já não se turva

Em sintonia do tempo
Que chove em ponteiros aflitos
Um gotejar sufocante faminto de um fim
Que nunca consinto extinguir

Nesse vertiginoso labirinto pútrido
Nutrido âmago amargurado
Desassossegado pressinto
Que quanto mais me amar(go)
Exaurido me perco... e não findo

Consinto, contudo, com o constante consumo
Em ser reles insumo não mais relutante
Desse cinto de cimento edificado
Asfixia no mais apertado encaixe

E sinto muito se muito sinto
Pois sinto o mundo...

...Mas não me sinto!

Mônia Zimmermann - 28/10/2018

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

UMA FATI(g)A DE MIM



UMA FATI(g)A DE MIM

A gente se cansa
Da vingança infundada
Recebida maquiada de amizade
Pura competitividade
De um ego esfomeado
Que apenas tem desencadeado
Desprezo, ódio, maldade

E quando acha que descansa
É no descaso que desperta
Talvez fosse a hora certa
De já não se importar
E não se maltratar
Depois da sapataria engolida
Que quando não me haviam mais pés
Para andar encolhida em seus ovos
Logo fui repelida
SEJA FALSO OU VERDADEIRO
NÃO HÁ AMIZADE SEM ESPELHO

E o apelo que apenas
Vem de carona com o interesse
E o contato que de fato
Trouxa caio como um pato

A gente realmente se cansa
Do convite para uma família
Que apenas acolhia ao jorrar de sangue
Todavia não tardia a se tornar
Um subordinado qualquer

E a planta de um pé cansado
De vagar descalço e buscar seu espaço
Adoece exaurido
Floresce em lágrimas secas
Por fim, preterido se encontra

Também se cansa de trabalhar
Em um sentimento de mão única
Que exige hora e local
Enquanto se é um relógio partido
Crença tão antagônica

Quanto mais cansado se encontra
Mais em pedaços se perde
Mais o vazio segue
Mais a dor se encanta

E a gente se esquece
De qualquer quermesse que exista
Qualquer regozijo regurgita
Nas distrações diárias
Das veias deste diário
Que apenas verte uma alma aflita
Tanto quanto permita
Um âmago amargurado...

Mônia Zimmermann (07/06/2017)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

BALÃO EM MIRAGEM

Aí me bate o desejo
De pegar meu balão laranja
Elevar-me ao céu distante
Ser do destino o amante
Correspondido, que sorri esbanja
O bem desse seu ensejo

Me vejo Entregue ao ar, flutuante
Para que conduzida fosse
Pelo portal de meu mundo oculto
Onde nem vulto desse mundo existe

Se aqui a vida insiste
Em quebrar-me as pernas às rasteiras
No mundo paralelo
Posso levitar na cegueira
Confiante de que este mundo singelo
Emana apenas o afável
E me toco que é um desejo oco
Visto que meu relógio
Gritará desesperado em trinta minutos

E vejo outra noite em claro
E pelejo em pensar que de praxe
O balão ficará de lado
Para os deveres da vida

Meu fado!

Mônia Zimmermann - 04/outubro/2013

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

QUEBRA



Tanto que me prendi
Não me permiti
Sequer olhar a janela
Uma feliz solitária vivi
Sempre a andar de esguelha

Já me tinha conformado morta
Até que seu jardim
Arrombando-me a porta
Invadiu meu refúgio

Apenas o prelúdio
Do que fizestes em mim

E se não bastasse
Aniquilar meu aconchego
Vens abalar minhas defesas
Tirar-me o fôlego

Desassossego
Perante este apego
Onde tenho mais que mereço
Mas muito menos que almejo

Ah apreço
Que eu, mesquinha, alimento
Quando lhe sou afeição fraterna
E eu ,covarde, consinto
(Minto que não sinto)

Novo dia desponta
Abro os olhos
Dou-me conta
Que sobram-me flores
Falta-me coragem
Nestes sonhos incolores

Mônia Zimmermann - 26/02/2013

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

NOSTALGIA


A cada Tic-Tac
O toque
Que já não tenho
A trama
Que já não sonha
E sequer me mantém acordada

A mente percorre veloz
Ansiando se saciar
Neste corpo que estagnado
Cada vez mais descrente
De lado
Nem ao menos um suspirar

Quem dirá me virar
Do avesso
Um apreço, um aperto

Confesso
Que já me falta
Uma mão farta
Um olhar suplicante
Um beijo ofegante
Um amante de fato

Não há dedos
A deslizar
Em meu quadril
Dentes serrados
Na pele
Que expele calor
E lábios
Que nunca mais
Encontraram-me a nuca

Esse amor...
Que transformado em furor
Já não sinto
E sequer minto
Que me começa
A bater saudade

Ai que maldade!

MZ - 27.12.2012

QUAISQUER QUER QUAIS


Sorriso a rasgar meu rosto
Imposto que pago a mim mesma
Evitando alimentar o desgosto
E tornar mais um rosto à esmo

Assim mesmo a luta praxeada
Extrema beleza da vida
Extremo oposto
Suposto que se importa
Eu supero a cada respirar

A alegria me vem direto
De dentro
No direito de ser lado esquerdo
Da mesma nascente da dor
Do medo, calor
Frio
Afeto
Que nem ao menos
Me meto mais

Este é meu cais
Longe das tempestades
Das verdades sentimentais
Sentimentos?
Quais?

MZ - 08.11.2012

CENTIMENTRAIS


Mundo doente
De mentes que mentem
E medem corações

Dementes

Enxergam em seus próprios umbigos
O que já vem de cordões umbilicais
Apenas o que lhes faz sentido
Nada mais

São fatais para outrem

"Que importa?
Se minha horta me sustenta
E minha aorta anestesiada
Assim se mantém"

Ensandecida

E se encasulam
E perambulam
Soltos em suas prisões
Solitários em multidões
Em sangues quentes
E orgasmos frios
Sentimentos indecentes
Já nem se encabulam
Em cabular relacionamentos
Ferir inocências
Proferir dor
Denegrir amor

Sentir sabor
E não suor

Até que papilas e pupilas
Implorarão algo mais
E ansiando diferenças
Encontrarão apenas
Outros seres centimentrais

Os iguais também se atraem, afinal
Quando ninguém mais
Tenta ser oposto!

Mônia Zimmermann - 08.11.2012