Tanto que me prendi
Não me permiti
Sequer olhar a janela
Uma feliz solitária vivi
Sempre a andar de esguelha
Já me tinha conformado morta
Até que seu jardim
Arrombando-me a porta
Invadiu meu refúgio
Apenas o prelúdio
Do que fizestes em mim
E se não bastasse
Aniquilar meu aconchego
Vens abalar minhas defesas
Tirar-me o fôlego
Desassossego
Perante este apego
Onde tenho mais que mereço
Mas muito menos que almejo
Ah apreço
Que eu, mesquinha, alimento
Quando lhe sou afeição fraterna
E eu ,covarde, consinto
(Minto que não sinto)
Novo dia desponta
Abro os olhos
Dou-me conta
Que sobram-me flores
Falta-me coragem
Nestes sonhos incolores
Mônia Zimmermann - 26/02/2013
