quarta-feira, 29 de agosto de 2012

CRU EIS


Um canto que meu
A solidão prometeu
Neste tempo revel
Me és tão cruel


Meu fardo indelicado
Então me afasto
Mesmo que inerente
Presente de mim
Em mim
Por fim!

E se ignorada
Sou ermo
A esmo de sentidos
Me faço deserto
Que a todo luar anseia
Ser algo diferente
Crente que podes
Tolice!
Visto que o sol renasce
E o único calor
É sequidão persistente

Eis que sou cru
Quanto mais cruéis...

Mônia Zimmermann - 28.08.2012

sábado, 25 de agosto de 2012

APATIA

Não acredito que possa
Voltar a acreditar
Hibernante este ser
Sequer consegue sonhar

Acorda em riachos.
Se porventura secasse!
Apenas corre, escorre...
"-Se escore em mim!"
Não pode!
Não mais nasce!

Anseie um toque, menina!
Deseje um beijo, mulher!
Ao menos sem rosto
Para que o desgosto não a leve

Ah, coração exposto
Em seu posto de pedra
Estatueta em pedaços
Cada caco, outrem
Não convém remendar

Linche este ser ao lixo
Seja morada, não estadia
Não há o que ser reciclado
Aceite teu fardo

Mesmo singular,
todo ser
Está à mercê
de ser trocado

E assim, se iguala!

MZ - 16/08/2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

AÇOUGUE

Lá se vai um coração
Trocado por uma alcatra
Pesos deturpados
Ouro trocado por prata

O que deveria ser canção
Virou peça de contra-filé
Reles alimento
Não há tango, não há balé

Conquistas, trocas
Para quê?
Tudo se vale ao dinheiro
Tudo é o que se come
Servido de amor com purê?

Romance feito salada
Ignorado, banal
Visto que o principal
É a espera da rabada

E se me achas um sujeito pífio
De palavras tolas, escrotas, banais, ...
Só demonstro onde fomos parar
Onde o sentimento jaz

Sim, haja estômago
Para aguentar tal poesia ridícula
Um nojo proveniente do âmago
Ah, e isto eu não engulo!

Que meu fígado suporte isso tudo!

Mônia Zimmermann - 08/08/2012

RECIPROCIDADE

Quando lhe dou meu coração
Me queres quadril
E se me dou por fração
Em seu jeito febril
Queres que seja eu, inteira

Ah que besteira!

Se apenas me queres poesia
Quando tudo tardia
E já eu, pedra feita
Nem vulcão, nem fogueira

Me beija os olhos
Quando lhe quero dentes
Planta-me do sentimento, semente
Quando sequer queres regar

Sequidão em galhos!

Se quero teu peito
Feito refúgio, travesseiro
Já não causo este efeito
Visto que me queres braseiro

Sou rua
Quando me queres céu
Sou sua
E sequer importa o que sou
Sou lua quando
me queres sol
Sou nua
E sequer me dá seu sim!

Mônia Zimmermann - 07/08/2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

POR HORA

Sentir do sentimento alheio
Tocar quem não me existe
Viver do que sequer me pertence
Acarinhar o vazio que persiste

Apaixonar-se a cada melodia
E não existir quem pensar
Conviver com um peito que ardia
Agora se pôs a hibernar

Admirar a lua solitária
Perceber que sozinha também está
Reparar que seu brilho irradia
Reparar os sentidos ao luar

Vou vivendo de outros, paixões
Que em mim se transformam poemas
Agradando a quem os pertence
Nada de mim, meu dilema

Nada tenho a reclamar, porém
Pois quando o fazia por amor
Só ,me correspondia o desdém
E o calor? Furor? Torpor?
Sequer a dor!
Mas tudo bem

Silenciar-me-ei por hora!

Mônia Zimmermann - 07/08/2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Em... Fim...


Apaixonada por nada
A vida veio a me tornar
Um amor que jamais acaba
Riacho desaguando ao mar

Como pode um coração partido
Em parafuso
Confuso
Obtuso
Em desuso
Viver tão feliz sozinho?
Se as engrenagens enferrujam
E não há óleo
Que desatine o destino

Nem tudo se pode explicar
'Inda mais de ponta-cabeça
Sou passarinho livre no ar
Que sequer busca um ninho que o aqueça

Mônia Zimmermann - 03 / 08/2012

AS FADAS LHE CONTO



E eu
Que acreditei ser tão fulgaz?
E eu
Que até pensei ser algo mais?

Me foi primeiro.
Veio certeiro.
Fez-me braseiro.
Para se fazer faceiro.

Tão ruim
Compreender este fim.
Se em seus olhos só vejo
Que queres estopim.
(Pelejo)

Vivendo de subterfúgios.
Fugindo de tudo que sente.
Mascarando que sou seu refúgio.
Fingindo que crê ser descrente.

Lhe vejo assim tão menino.
Tão bobo, indeciso, desprotegido.
Parece que fui a primeira
A nunca ter lhe ferido.

E é tanta dor que sequer consigo
Sentir doer mais nada.
Amor tentando virar amigo
E se torna conto de fada.

Já não existe mais!

Mônia Zimmermann - 03/08/2012

SE SONHO


Sonho meu, sonho meu ...
Faça um favor
Não busque ninguém
Perto ou longe
De amor

Sossegue meu peito
Em que só paira a agonia
Descanse essa dor
Em teu colo
Lhe imploro
Plena misericórdia

Adormeça esse amor
Que conheceu apenas
Homicidas, egoístas
Em imagens serenas

O casco sem rastros
Rasgou-me ao nada
Cada passo falso
Em meu encalço
Cilada

Ah sonho meu
Que fizestes de mim?
Vendestes minh'alma
E em sua palma estou!

Mônia Zimmermann - 02/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

POBRE SONHAR



Acordei sensível

Acordei amante
Acordei carente
Acordei distante



Desperto em um mundo disperso
Desespero tamanho desapego
Desdém, desafeto



Pobre de mim
Que tão rica em sentimentos
Não recebo e sequer compro
E egoísta
É o que me torno
Ao fim
De tamanhos desenganos



Apenas queria tornar
De meus sonhos um lar
Refúgio de toda dor
Cemitério do amor



Monia Zimmermann - 02/08/2012