Aí me bate o desejo
De pegar meu balão laranja
Elevar-me ao céu distante
Ser do destino o amante
Correspondido, que sorri esbanja
O bem desse seu ensejo
Me vejo
Entregue ao ar, flutuante
Para que conduzida fosse
Pelo portal de meu mundo oculto
Onde nem vulto desse mundo existe
Se aqui a vida insiste
Em quebrar-me as pernas às rasteiras
No mundo paralelo
Posso levitar na cegueira
Confiante de que este mundo singelo
Emana apenas o afável
E me toco que é um desejo oco
Visto que meu relógio
Gritará desesperado em trinta minutos
E vejo outra noite em claro
E pelejo em pensar que de praxe
O balão ficará de lado
Para os deveres da vida
Meu fado!
Mônia Zimmermann - 04/outubro/2013