Sentir do sentimento alheio
Tocar quem não me existe
Viver do que sequer me pertence
Acarinhar o vazio que persiste
Apaixonar-se a cada melodia
E não existir quem pensar
Conviver com um peito que ardia
Agora se pôs a hibernar
Admirar a lua solitária
Perceber que sozinha também está
Reparar que seu brilho irradia
Reparar os sentidos ao luar
Vou vivendo de outros, paixões
Que em mim se transformam poemas
Agradando a quem os pertence
Nada de mim, meu dilema
Nada tenho a reclamar, porém
Pois quando o fazia por amor
Só ,me correspondia o desdém
E o calor? Furor? Torpor?
Sequer a dor!
Mas tudo bem
Silenciar-me-ei por hora!
Mônia Zimmermann - 07/08/2012

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