quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tempestades noturnas


Sol que não sonha raios
Chuva permeia em noites
Boemia resolveu dormir
A escuridão domina em açoites

E se o silêncio paira
É porque nada acontece
E feito quermesse
Imploro ao menos um passo

Tudo que faço
Tentar, tentar e tentar
Esperar...
Almejar o mar
Que carregue sal
Que ilumine sol

Se não chegar?
Nada mudar, resolver
Não importa
Tempestades noturnas
Não geram arco-íris
Essa é a realidade!

Mônia Zimmermann - 28/12/2011


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

DOR


Que será de mim
se a dor novamente me visitar
e jorrar-me o sangue que resta,
esmigalhar meu coração.

Não quererei mais viver,
pois de que adiantar-me-á um corpo
vazio, oco,
apenas uma casca.

Porém espero que o sangue de mim arrancado
seja posto em doação.
Salve outra vida.
Que minha morte pelo menos sirva
Para alegrar quem dela
não utilizar-se-á em vão.

E se for pra morrer,
que seja de vez.
Chega de sentir,
e doer,
e sofrer,
e agonizar,
e morrer
para ressuscitar
e sentir,
tudo outra vez.

E como dói
Esta dor da desilusão!
CHEGA! BASTA!
Já te senti demais.
Não domine mais meu corpo.
Deixe-me movimentar sozinha.
Sentir minhas articulações
e controlar meu próprio corpo.

Vá embora!
Pare de alimentar-se de mim,
de minha alegria,
de minha vontade de viver.

Quero enxergar meus desejos
(as mentiras me cegam)
Ouvir meu coração
(a falsidade me ensurdece)
Dizer que não amo sozinha
(os fingimentos me calam)

Faça a diferença.
Tire-me desta rotina.
Ponha-me em teu colo
não para um ridículo ventriloquismo
mas para encher-me de carinho,
de um amor verdadeiro.

De um amor verdadeiro
que jamais senti
pois assim descobri
que quem eu parecia amar
sequer existia.
E posso garantir
que não há nada de agradável
em amar um personagem.

O pior é que dói ainda mais ao pensar
que se realmente queres me enganar,
minhas lágrimas nem incomodar-te-ão.
Meu desespero e depressão
serão apenas sua indiferença.
Que você simplesmente será
o ácido que me corroerá.

E se realmente for verdade
que vivo d mentiras,
por favor procure outra vítima
pois minha vida está apenas por um fio.

Só não se esqueça
de arrebentar este fio
e como já havia lhe pedido,
caso fosse para morrer,
mate-me de vez!
Não alimente falsas esperanças de vida
à esta paciente terminal
que já não tem saída
e nem deseja outro fim
que não seja a felicidade plena;
Seja vivendo para verdades,
Seja morrendo para mentiras..."

Mônia Zimmermann - 09/07/2008



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Panta Dôra


Tempo, por favor
Tampe sem demora
O tampo dessa caixa
A trupe de Pandora

Surpresa em si
Nem sempre faz bem
Inda mais quando suspende
Todo sopro que se tem

Me espanta a quantidade
que se espalha e manifesta
Dos males por ela expostos
A esperança é o que me resta


Mônia Zimmermann - 08/12/2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Obra que sobra



Juro que tento
compreender, em vão.
Por que tanto egoísmo
interesse
desdém...


Me espanto!


E se choro.
E se sofro.
É porque sinto.
Porque a dor
é a melhor inspiração.
Isso é ser romântico!
E se um dia já Lee,
poucos são
desta espécie em extinção.


Aguçado
em angústias
sou sim
um ser sensível
inconstante
indivisível
instigante
irreversível
e a cada instante,
mais invisível.


E se são mãos e braços
faltam os beijos e abraços.
Falta a falta do que sou
Falta me enxergar além do operário.


Pois o que sou
além de mão de obra?
Além de um nome a sujar?
Além de empréstimos?
Além de ouvidos e ombros?


Sou um ser
em busca de ser
desejado pelo que é,
não pelo que tem a oferecer!


Mônia Zimmermann - 06/12/2011



sábado, 3 de dezembro de 2011

Por Helena

Em pensar
que demais pensei.
E lembrar
de me esquecer.
Pois sonhar
não é sofrer.
Me entregar
a quem merecer.

Quem dirá?
Simples assim.
Ai de mim
mera mortal,
ser normal
afogada em receios.
E jogada ao meio
de esperanças e desilusões.

Busco a paz
que tanto sonhei.
Toquei,
beijei,
matei!

Mataram-me!
De carinhos
e afagos,
e dengos,
presentes
da Grécia Antiga.

Rumo ao coração de Roma
agora arrebentado.
E as ruínas deixadas
são runas
à serem desvendadas.

Pobre de ti
meu desejado escavador!

Mônia Zimmermann - 02/12/2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Íncubus

Esta noite me encontres.
Calor de seu toque.
Me afague;
me tome;
me dome;
me acabe.

Que arranhe a cama
e arranhe à cama.
Arranque da trama
qualquer pureza que inda reste.

Faça-me de ti
sentir.
Calar tua boca
à minha.
Colar teu quadril...
Calor!

Silêncio inexistente.
Inebriante desejo.
Desenhando com corpos
mares de prazer.

Para ser
selvagem em sí
em tí
enfim.

Murmuros, suspiros, orgasmos, gemidos...

Embaraçando-me em seus braços.
Serpenteando por sua pele.
Perdendo a razão.
Encontrando a loucura.

E a fissura por ti
não me permite
deixar-te partir.


Sejas nu,
plenamente meu.

E que eu durma eternamente!

Mônia Zimmermann 02/12/2011

Se puder





Será que posso
Ter o poder
De em seu poder estar?

Pegar-te pela mão
Mundo afora
Sempre
Agora.

E se pudesse
Tirar-nos do poço?
E se água
Que a chuva nos molhe
Nos lave a'lma
Carregue o trauma
E o que mais nos impeça.

Poder-me-ia de ti cuidar
Olhar-te nos olhos
Dizer-te enfim
O que em mim já lhe pertence.

E se palavras do vento são
Que eu possa então provar
Que o que é dito ao coração 
Não se pode ser em vão.

Mas se faz verdade
Promessa
Poesia
Canção.


Mônia Zimmermann - 10/11/2011


(Um poema percebo agora
que fora um tanto quanto
ao Deus dará
mas criatura de criador é filha
linda em seu seu íntegro
acima de tudo que angustia
com fulgor em meu peito mora)


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O ENTERRADO VIVO

É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

Carlos Drummond de Andrade


Começando com um poema que amo e me faz juz