Que será de mim
se a dor novamente me visitar
e jorrar-me o sangue que resta,
esmigalhar meu coração.
Não quererei mais viver,
pois de que adiantar-me-á um corpo
vazio, oco,
apenas uma casca.
Porém espero que o sangue de mim arrancado
seja posto em doação.
Salve outra vida.
Que minha morte pelo menos sirva
Para alegrar quem dela
não utilizar-se-á em vão.
E se for pra morrer,
que seja de vez.
Chega de sentir,
e doer,
e sofrer,
e agonizar,
e morrer
para ressuscitar
e sentir,
tudo outra vez.
E como dói
Esta dor da desilusão!
CHEGA! BASTA!
Já te senti demais.
Não domine mais meu corpo.
Deixe-me movimentar sozinha.
Sentir minhas articulações
e controlar meu próprio corpo.
Vá embora!
Pare de alimentar-se de mim,
de minha alegria,
de minha vontade de viver.
Quero enxergar meus desejos
(as mentiras me cegam)
Ouvir meu coração
(a falsidade me ensurdece)
Dizer que não amo sozinha
(os fingimentos me calam)
Faça a diferença.
Tire-me desta rotina.
Ponha-me em teu colo
não para um ridículo ventriloquismo
mas para encher-me de carinho,
de um amor verdadeiro.
De um amor verdadeiro
que jamais senti
pois assim descobri
que quem eu parecia amar
sequer existia.
E posso garantir
que não há nada de agradável
em amar um personagem.
O pior é que dói ainda mais ao pensar
que se realmente queres me enganar,
minhas lágrimas nem incomodar-te-ão.
Meu desespero e depressão
serão apenas sua indiferença.
Que você simplesmente será
o ácido que me corroerá.
E se realmente for verdade
que vivo d mentiras,
por favor procure outra vítima
pois minha vida está apenas por um fio.
Só não se esqueça
de arrebentar este fio
e como já havia lhe pedido,
caso fosse para morrer,
mate-me de vez!
Não alimente falsas esperanças de vida
à esta paciente terminal
que já não tem saída
e nem deseja outro fim
que não seja a felicidade plena;
Seja vivendo para verdades,
Seja morrendo para mentiras..."
Mônia Zimmermann - 09/07/2008