Aí me bate o desejo
De pegar meu balão laranja
Elevar-me ao céu distante
Ser do destino o amante
Correspondido, que sorri esbanja
O bem desse seu ensejo
Me vejo
Entregue ao ar, flutuante
Para que conduzida fosse
Pelo portal de meu mundo oculto
Onde nem vulto desse mundo existe
Se aqui a vida insiste
Em quebrar-me as pernas às rasteiras
No mundo paralelo
Posso levitar na cegueira
Confiante de que este mundo singelo
Emana apenas o afável
E me toco que é um desejo oco
Visto que meu relógio
Gritará desesperado em trinta minutos
E vejo outra noite em claro
E pelejo em pensar que de praxe
O balão ficará de lado
Para os deveres da vida
Meu fado!
Mônia Zimmermann - 04/outubro/2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
QUEBRA
Tanto que me prendi
Não me permiti
Sequer olhar a janela
Uma feliz solitária vivi
Sempre a andar de esguelha
Já me tinha conformado morta
Até que seu jardim
Arrombando-me a porta
Invadiu meu refúgio
Apenas o prelúdio
Do que fizestes em mim
E se não bastasse
Aniquilar meu aconchego
Vens abalar minhas defesas
Tirar-me o fôlego
Desassossego
Perante este apego
Onde tenho mais que mereço
Mas muito menos que almejo
Ah apreço
Que eu, mesquinha, alimento
Quando lhe sou afeição fraterna
E eu ,covarde, consinto
(Minto que não sinto)
Novo dia desponta
Abro os olhos
Dou-me conta
Que sobram-me flores
Falta-me coragem
Nestes sonhos incolores
Mônia Zimmermann - 26/02/2013
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