segunda-feira, 25 de setembro de 2017

UMA FATI(g)A DE MIM



UMA FATI(g)A DE MIM

A gente se cansa
Da vingança infundada
Recebida maquiada de amizade
Pura competitividade
De um ego esfomeado
Que apenas tem desencadeado
Desprezo, ódio, maldade

E quando acha que descansa
É no descaso que desperta
Talvez fosse a hora certa
De já não se importar
E não se maltratar
Depois da sapataria engolida
Que quando não me haviam mais pés
Para andar encolhida em seus ovos
Logo fui repelida
SEJA FALSO OU VERDADEIRO
NÃO HÁ AMIZADE SEM ESPELHO

E o apelo que apenas
Vem de carona com o interesse
E o contato que de fato
Trouxa caio como um pato

A gente realmente se cansa
Do convite para uma família
Que apenas acolhia ao jorrar de sangue
Todavia não tardia a se tornar
Um subordinado qualquer

E a planta de um pé cansado
De vagar descalço e buscar seu espaço
Adoece exaurido
Floresce em lágrimas secas
Por fim, preterido se encontra

Também se cansa de trabalhar
Em um sentimento de mão única
Que exige hora e local
Enquanto se é um relógio partido
Crença tão antagônica

Quanto mais cansado se encontra
Mais em pedaços se perde
Mais o vazio segue
Mais a dor se encanta

E a gente se esquece
De qualquer quermesse que exista
Qualquer regozijo regurgita
Nas distrações diárias
Das veias deste diário
Que apenas verte uma alma aflita
Tanto quanto permita
Um âmago amargurado...

Mônia Zimmermann (07/06/2017)

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